A trajetória de Cosmo Jarvis no mundo da arte é marcada pela versatilidade. Embora tenha alcançado reconhecimento como músico, figurando duas vezes no renomado ranking Triple J’s Hottest 100, sua entrada no cinema australiano ocorreu por outros caminhos. O que o levou a integrar o elenco de Inside, primeiro longa-metragem do diretor Charles Williams, foi o roteiro e a profundidade da história.

Desde que venceu a Palma de Ouro em Cannes em 2018 pelo curta-metragem All These Creatures, o cineasta australiano Charles Williams se tornou um nome aguardado no cinema. Agora, com sua estreia em longas-metragens, ele entrega um dos filmes mais impactantes do ano. Inside é uma narrativa ambientada dentro de uma prisão, construída com uma sensibilidade impressionante. O elenco também contribui para o brilho da produção: Guy Pearce, indicado ao Oscar por The Brutalist, mais uma vez entrega uma atuação poderosa, enquanto o estreante Vincent Miller (Plum) surge como uma grande revelação. No centro desse drama intenso está Jarvis, que vem do sucesso da primeira temporada da aclamada série Shōgun, e assume um dos papéis mais complexos do filme com uma interpretação envolvente e perturbadora.

A história gira em torno de Mel Blight, interpretado por Miller, um jovem transferido de um centro de detenção juvenil para uma prisão de adultos. Lá, dois detentos exercem grande influência sobre ele. Warren Murfett, vivido por Pearce, está prestes a obter liberdade condicional e já recebe autorização para sair durante o dia para reencontrar seu filho. Por outro lado, Mark Shepard, interpretado por Jarvis, carrega uma reputação bem diferente. Considerado um dos criminosos mais odiados da Austrália, ele cumpre pena desde os 13 anos por um crime brutal. Apesar do desprezo da sociedade, Shepard tenta encontrar um caminho para sua redenção, abraçando a fé e tornando-se uma espécie de líder espiritual dentro da prisão.

O caminho de Cosmo Jarvis no cinema começou quando ele escreveu, dirigiu e estrelou The Naughty Room. Desde então, ele acumulou uma série de projetos diversificados, incluindo o drama Lady Macbeth, estrelado por Florence Pugh, participações em Peaky Blinders e Raised by Wolves, além do elogiado filme policial irlandês Calm with Horses, ao lado de Barry Keoghan. Em 2025, Jarvis estará em três filmes que chegarão às telonas. Além de Inside, ele atuará ao lado de Robert De Niro em The Alto Knights e, em seguida, em Warfare, novo projeto de Alex Garland, com quem já havia trabalhado em Annihilation.

Com Inside estreando nos cinemas australianos, Jarvis já está envolvido em um novo trabalho: Wife and Dog, dirigido por Guy Ritchie. O longa conta com um elenco de peso, incluindo Anthony Hopkins, Rosamund Pike, Benedict Cumberbatch, James Norton e Paddy Considine. Durante a entrevista, Jarvis revelou estar trabalhando na construção de um novo sotaque para esse papel.

Mesmo com anos movimentados na carreira, ele evita qualquer discurso de grandiosidade. O sucesso de Shōgun, que conquistou prêmios como Emmy, Globo de Ouro e SAG Awards, poderia ser um marco definitivo, mas Jarvis minimiza. “É a mesma coisa de sempre, eu acho, citando a música”, disse ao Concrete Playground. “É só o mesmo, mas diferente. Continuo buscando projetos interessantes, personagens interessantes e tentando executar o trabalho de forma competente.”

A música foi apenas um meio para um fim. “Foi algo que me permitiu me tornar ator”, explica ele. No entanto, antes mesmo de atuar em um filme australiano, ele já tinha uma ligação com o país. Em sua fase de cantor e compositor, ele chegou a figurar no Triple J Hottest 100 em 2011 e 2012, e até fez uma versão de Spinning Around, de Kylie Minogue, para o programa Like a Version. Mas, segundo Jarvis, essa conexão com a Austrália e sua participação em Inside são meras coincidências. “Foi o roteiro. O roteiro e o tema”, enfatiza. “Mas, claro, eu amo o país, a cultura específica dele e o humor das pessoas. Sempre achei tudo isso muito revigorante e agradável.”